Quando se fala em Inovação é importante desfazer o chavão e ir de encontro à simplicidade do seu conceito. Resumindo, Inovação é fazer o que os outros não fazem. Como posicionar Aveiro como um centro inovador e como lhe conferir a diferença?
A forma mais simples é conhecer o que os outros já fizeram e que resultados estão a ter. Um dos exemplos de política de inovação, os Parques Tecnológicos, já não são inovadores, dado que existem muitos casos de empresas com um grau muito elevado de processos inovadores que não se conseguem estabelecer na maioria dos Parques Tecnológicos que não têm a vocação para receber as empresas realmente inovadoras ou não têm aquilo que elas realmente precisam.
Para uma cidade poder tirar partido da Inovação, importa reter as seguintes componentes:
- Recursos Humanos: fixar nos recursos humanos, pensar em formas de atrair pessoas altamente qualificadas (Estados Unidos) e possibilitar um melhor acesso aos mercados (internacionalização).
Aveiro é centro de excelência no que toca a posição geo-estratégica e infra-estruturas. Como se põe tudo isto a funcionar?
A aposta em clusters focando em áreas específicas em que realmente Aveiro é muito bom a produzir, criar e criar valor acrescentado (exemplo: cluster no software na UMinho tem criado empresas de Lisboa a Braga, encontrar empresas ligadas à UMinho e juntar as pessoas em volta desse cluster que entretanto foi tornado centro de excelência e agora associação sem fins lucrativas. Começaram com 6 empresas, muito bem seleecionadas. Empresas ricas nos respectivos mercados e liderantes em todos esses mercados e pequenas estrelas (jovens empresas) apoiadas no processo de internacionalização (uma das pequenas empresas foi vendida à Microsoft).
Definir qual o segmento de mercado que somos mesmo excepcionais é uma pergunta essencial para quem quererá tornar uma região mais competitiva com base na Inovação.
A desmaterialização de transacções = foco do cluster (hoje tem 24 empresas) seleccionados 4 projectos onde realmente se pode ser competitivo) está a atrair para a região de Braga um conjunto de outras empresas e recursos altamente qualificados. As empresas-base puxam pelas empresas mais pequenas que a circundam, é importante chamar no período inicial empresas de grande dimensão que arrastem outras e que façam nascer outras.
- Outra componente: criação de empresas de base tecnológica (COTEC: está a desenvolver projecto com 2 empresas deste tipo)
Capacidade em atrair e reter recursos humanos altamente qualificados, puxar estas empresas é extremamente importante para desenvolver um sistema de inovação numa determinada região. As pessoas altamente qualificadas só se estabelecem numa cidade quando ela oferece infra-estruturas de trabalho de nível elevado, áreas residenciais de qualidade, uma cidade com grande mobilidade e com ofertas comerciais, culturais e de serviços mais sofisticados. Em Aveiro é possível criar estas condições para trazer estes recursos humanos e é aí que uma autarquia pode mexer.
Existem componentes que estão ao alcance de uma cidade e outros que não, quando se fala em desenvolvimento criado a partir de sistemas de Inovação. Cidades e Inovação são explicadas através de um quadro sistémico, onde é necessário compreender as limitações que um Município pode ter quando se cogita uma politica baseada na Inovação (um exemplo são limitações na ordem das competências, como orientações e politicas comunitárias). É bom ter sempre esta ideia de que uma autarquia não pode fazer tudo se quiser contemplar uma politica de inovação.
Componente Organismos que estão presentes no território (CM, Escolas, Sindicatos, Empresas, Bancos) = sistema de inovação, capacidade de intervir na inovação é limitada. É necessário que hajam maiores convenções de âmbito cultural que promovam a inovação (regras de jogo podem ser desajustados). As convenções no fundo é a mentalidade do risco, de querer rumar ao desconhecido e sobretudo não deitar abaixo uma ideia inovadora quando esta obtém insucesso. Para uma politica efectiva de Inovação, para um Município poder criar um sistema de inovação é necessário criar condições para mudar o raciocínio atávico que premeia o sucesso e desacredita o insucesso, falhar é uma característica essencial de um sistema de inovação, porque se ruma ao desconhecido e uma grande ideia pode falhar muitas vezes. Inovação é risco, a probabilidade do falhanço é forte e uma convenção cultural atávica (mentalidade baseada exclusivamente no sucesso) pode bloquear uma politica assente nos pressupostos da inovação.
A criatividade é a capacidade de se fazer raciocínios sem recorrer ao património educacional que se obteve. Processo educativo não incentiva a criatividade, porque nos dá a solução. Ser criativo é ir alem do que já se aprendeu e não tornar mimética a resolução de problemas. Solucionar problemas sem usar a solução já experimentada. E podem ser os problemas do dia-à-dia das pessoas, pode não ser uma grande cãoenção tecnológica, apenas uma solução de um problema quotidiano.
Uma cidade pode contrariar esta tendência, da mentalidade atávica? Uma cidade pode ser original e criativa. Ser diferente, ser ousada. A anormalidade no inicio do século XX em Barcelona é hoje a sua normalidade e a sua geneliadade. Desenvolver e por em prática uma ideia que no presente é inconcebível é o espírito de uma cidade com mentalidade inovadora, capaz de criar mais riqueza. A Universidade de Aveiro é um caso prático deste pensamento, há 20 anos era uma Universidade de uma cidade afastada dos grandes centros, hoje é um centro de referencia.
Como é que Aveiro é inovador? São necessárias infra-estruturas, mas sem mudança da mentalidade das pessoas é impossível criar um concelho inovador. São as pessoas que fazem de Aveiro inovador ou não. É um fenómeno epidémico, necessita de massa critica. É necessário criar as condições para que este rastilho pegue. Há um sistema estabelecido (pressuposto que se parte), é importante começar a fazer infra-estruturas e a criar condições para que a criatividade surja. Se se for criativo, é possível encontrar as pessoas que se pode partilhar ideias e de quem tem iniciativa. Um líder concelhio pode tornar possível e dar as condições para que elas se juntem.
Criar um espírito criativo e inovador
Clusters: que tipo de áreas Aveiro podia ser inovadora?
É necessário seleccionar uma área onde as grandes empresas mundiais estão a investir (computação molecular, por exemplo), estabelecer um portfolio de coisas que estão a acontecer e que Aveiro pode oferecer e competências que estão a ser geradas na região em relação ao que vem da Universidade e dos Politécnicos.
Fazer o que os outros não são capazes de fazer. Inovação não é só economia. Aveiro foi extremamente inovador com as Bugas. Esta ideia pode ser extendida a outros domínios criativos, é necessário dar respostas alternativas a problemas comuns das pessoas. Poderia ser uma grande inovação conseguir interagir com outros municpios limítrofes. É necessário ser criativo com as contas da Câmara, era possível por exemplo fazer um bom negocio com a marca Bugas e dar o proveito e uso às pessoas.
Aveiro tem tecnologia e tem sistemas de inovação mas... falta a mentalidade criativa e inovadora. Por isso, temos uma ria, temos gastronomia, temos tecnologia (electrónica e computadores) e podemos investir e encontrar áreas inovadoras com grandes margens de lucro e com grande capacidade distributiva pela população como os produtos e áreas tradicionais.
Movimento AdoroAveiro
